Os magos representantes dos povos

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Epifania significa encontrar o Senhor que se manifesta a nós; acolhê-lo em nossa vida, formar juntos a comunidade dos que crêem, e por nossa vez manifestá-lo ao mundo, rendendo-lhe o testemunho.

Na primeira leitura, o profeta Isaias, 60, 1-6, num texto poético e profético, anuncia à cidade de Jerusalém que será investida da luz do Senhor. Jerusalém deve pois preparar-se para acolher as gentes que virão a ela, atraídos pela luz de Deus. A imagem dos camelos que vêem de longe trazendo ouro e incenso nos leva ao episódio dos Magos, de que fala o evangelho de hoje.

Na segunda leitura, São Paulo confia aos cristãos de Éfeso, 3, 2-6 o misterioso projeto divino que se realiza em Cristo, e que o apóstolo foi destinado a anunciar ao mundo: todos os homens, e não somente os israelitas, são chamados a formar uma única realidade espiritual no Senhor Jesus, e a ser filhos de Deus.

Jesus nasceu em um lugar bem preciso da Palestina, no seio de um povo bem conhecido, o antigo Israel. Mas a mensagem que trouxe e a novidade de vida proposta não é algo de local e circunscrito a uma região: tem destinação para todos os homens.

O ensinamento do episódio dos Magos, pertencentes a povos diversos, provenientes de regiões longínquas, foram os primeiros a demonstrar o interesse que a humanidade tem para nutrir pelo Senhor Jesus. Recorda-nos que esse menino não é destinado a particular raça ou cultura, mas é de todos.

Tais idéias para nós não são propriamente novas, porém germinaram lentamente na história religiosa da humanidade, nas vicissitudes do Povo Eleito.

Isaias, profeta do tempo do exílio da Babilônia, quase seis séculos antes de Cristo, anunciava para seu povo não somente a libertação e o retorno à pátria, mas também um papel excepcional reservado à sua capital Jerusalém: “Eis que está a terra envolvida em trevas, e nuvens escuras cobrem os povos; mas sobre ti apareceu o Senhor, e sua glória já se manifesta sobre ti. Os povos caminham à tua luz e os reis ao clarão da tua aurora. Levanta os olhos ao redor e vê: todos se reuniram e vieram a ti; teus filhos vêem chegando de longe com tuas filhas, carregadas nos braços. ... será uma inundação de camelos e dromedários de Madiã e Efa a te cobrir; virão todos de Sabá, trazendo ouro e incenso e proclamando a glória do Senhor”.

O evangelista Mateus nos diz que Jesus não nasce na grande capital, mas em Belém, uma vila pequenina. Outro profeta, Miquéias, tinha previsto e dito: “E tu, Belém, não és a menor das cidades de Judá; de ti sairá um chefe, que apascentará o meu povo de Israel”. Mas para Jesus nascer em Belém, só encontrou lugar numa gruta , sendo depositado em manjedoura de feno, ao lado de animais.

Ali foi visitado pelos pastores que receberam dos Anjos a notícia que encontrariam um menino envolto em panos e depositado na manjedoura. Eles foram, viram e creram. Todos que os ouviam ficavam maravilhados. Maria, por sua vez, refletia e guardava no coração todos estes fatos.
Hoje, Jesus se manifesta a nós, não do mesmo modo que aos pastores e magos, mas no pobre dormindo na calçada, no menino de rua cheirando cola fruto de uma sociedade injusta e indiferente, no idoso abandonado pela família, sociedade e governantes, na criança impedida de nascer pelo egoísmo e desamor dos adultos que só pensam em si, no prazer, no consumismo, buscam o poder e o bem estar.  Jesus nos implora a amá-lo amando o próximo. Não bastam ações sociais, é necessário amor. Só ama quem conhece a Deus. As obras sem a caridade são mortas. Muitas vezes fazemos obras para termos sossego como o juiz desonesto que atende a viúva para não ser mais importunado para fazer justiça.

Jesus é apresentado às nações para todo aquele que se abre ao Evangelho que é Cristo. Jesus é o caminho a verdade e a vida. Quem o segue não caminha nas trevas mas na luz. Quem anda na luz, pratica a verdade, a justiça. Abramos as portas do nosso coração e acolhamos Jesus a exemplo dos magos que vendo creram, adoraram e testemunharam.

A todos os leitores desejo um feliz e abençoado Ano Novo cheio de fraternidade e de paz.

Dom Geraldo M. Agnelo
Cardeal Arcebispo de Salvador

fonte: CNBB

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